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Sofri um Acidente de trabalho e Fui Demitido, e Agora?

Introdução

Sofrer um acidente de trabalho já é uma situação complicada. No entanto, ser demitido depois disso torna tudo ainda mais desafiador. Mas será que essa demissão é realmente ilegal? Muitas pessoas acreditam que, após um acidente, a empresa não pode encerrar o contrato de trabalho. Contudo, há regras específicas que determinam quando a demissão é proibida e quando ela pode ocorrer sem restrições. Por isso, entender seus direitos e saber como agir é essencial para garantir que você não seja prejudicado. Dessa forma, evitar prejuízos e agir corretamente se torna indispensável.

Quando a Demissão é Ilegal?

Antes de tudo, é fundamental compreender em quais situações a demissão pode ser considerada ilegal. Se o acidente de trabalho causou um afastamento de 16 dias ou mais e o trabalhador recebeu o auxílio-doença acidentário (B91) do INSS, ele tem estabilidade garantida por 12 meses após o retorno. Durante esse período, a empresa não pode demiti-lo sem justa causa. Por outro lado, se o afastamento foi inferior a 16 dias e não houve recebimento do benefício B91, a empresa pode demitir, desde que não haja indícios de retaliação. Assim, entender esses critérios ajuda a evitar injustiças.

Entretanto, se a demissão ocorreu por represália, como forma de punição por uma reclamação sobre segurança ou pelos custos do acidente para a empresa, ela pode ser considerada ilegal, mesmo que o trabalhador não tenha recebido o B91. Sendo assim, antes de tomar qualquer atitude, é essencial avaliar se você tinha estabilidade e se houve retaliação. Caso a resposta seja positiva para qualquer uma dessas situações, você pode e deve agir para garantir seus direitos. Dessa maneira, sua proteção estará assegurada.

O Que Fazer em Caso de Demissão Ilegal?

Se você acredita que foi demitido de forma indevida, siga estes passos para se proteger. Dessa forma, você terá mais chances de garantir seus direitos.

1. Reúna Documentação Comprobatória

Antes de qualquer coisa, é essencial reunir todas as provas possíveis. Sem documentação adequada, será muito mais difícil garantir seus direitos. Portanto, junte os seguintes documentos:

  • CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho): Principal prova do acidente. Caso a empresa não tenha emitido, você pode fazer isso diretamente no sindicato, no médico particular ou até mesmo no INSS.
  • Laudos e Atestados Médicos: Todos os exames, receitas e prontuários que comprovem a gravidade do acidente e o tratamento realizado.
  • Declaração de Benefícios do INSS: Documento que comprova se você recebeu o auxílio-doença acidentário (B91) e por quanto tempo.
  • Documentos de Rescisão: Como o Termo de Rescisão do Contrato de Trabalho (TRCT) e a Carteira de Trabalho assinada, que confirmam a demissão.
  • Provas do Ambiente de Trabalho: Se o acidente ocorreu por negligência da empresa, reúna fotos, depoimentos e e-mails que demonstrem as condições inseguras.

Ter essa documentação organizada facilita muito na hora de exigir seus direitos.

2. Envie uma Notificação Formal à Empresa

Depois de reunir as provas, o próximo passo é notificar a empresa sobre a irregularidade. Embora não seja obrigatório, esse aviso pode ser um meio eficaz de resolver a questão sem necessidade de uma ação judicial. Envie um e-mail, uma mensagem via WhatsApp ou uma carta registrada informando que a demissão foi ilegal. Algumas empresas, ao receberem essa notificação, optam por resolver a situação de forma amigável, seja por meio de reintegração ou de um acordo indenizatório. Dessa maneira, você pode evitar um longo processo judicial.

3. Busque um Advogado Especializado

Se a empresa não responder ou recusar um acordo, a próxima etapa é procurar um advogado especializado em acidente de trabalho. Isso é crucial, pois esse tipo de caso exige conhecimento aprofundado sobre normas e exceções. O advogado analisará toda a documentação, verificará a legalidade da demissão e traçará a melhor estratégia para você. Dependendo da situação, ele poderá solicitar a reintegração ao trabalho ou buscar uma indenização justa. Dessa forma, você terá o suporte necessário para agir corretamente.

4. Escolha Entre Reintegração ou Indenização

Após avaliar seu caso, será necessário decidir se deseja retornar ao emprego ou receber uma indenização. Caso o ambiente de trabalho seja seguro e os benefícios sejam vantajosos, a reintegração pode ser a melhor opção. No entanto, se o clima na empresa ficou ruim e a relação se desgastou, a indenização pode ser mais interessante. Muitas empresas preferem pagar a indenização para evitar conflitos internos e novas complicações. Sendo assim, avaliar os prós e contras de cada escolha é essencial.

5. Entre com uma Ação Trabalhista

Se a empresa não oferecer nenhuma solução amigável, será necessário entrar com uma ação trabalhista. Mas atenção: há um prazo de até dois anos após a demissão para dar entrada no processo. Passado esse tempo, você perde o direito de reivindicar reparação.

Na ação, você pode solicitar:

  • Reintegração ao Trabalho: Com pagamento dos salários e benefícios retroativos.
  • Indenização por Perda da Estabilidade: Caso não queira voltar à empresa.
  • Danos Morais e Materiais: Se a demissão causou prejuízos financeiros ou constrangimentos.
  • Indenização por Danos Estéticos ou Existenciais: Se o acidente resultou em sequelas visíveis ou comprometeu sua qualidade de vida.

Dessa maneira, você terá a chance de ser recompensado pelo que sofreu.

Conclusão

Ser demitido após um acidente de trabalho pode ser injusto e, em muitos casos, ilegal. Se isso aconteceu com você, siga os passos indicados para garantir seus direitos. Reúna documentação, tente resolver amigavelmente e, se necessário, busque apoio jurídico para obter a melhor solução. Se precisar de mais informações, entre em contato com um advogado especialista. Dessa forma, você poderá lutar pelo que é seu e garantir justiça!

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